1 – Você não vai dormir bem, nem muito
Não lembro de encostar a cabeça na cama no meio do dia, de
ao menos dormir enquanto Ravi tirava a soneca da tarde. É claro que tinha dias
em que me permitia esse “luxo”, mas – veja bem – era luxo mesmo. Porque bebês e
crianças pequenas exigem demais da gente, em diferentes esferas. Uns não dormem
bem por meses, você indo ou não trabalhar na manhã seguinte. E, não, não dá
para compensar o sono da noite nas horas em que você deveria estar adiantando a
papinha, colocando bodies e mais bodies para lavar, ligando para o pediatra,
etc! Ah, sim, tem criança que chora o dia todo de cólica ou por outras razões,
e quando este tipo de filho dorme você aproveita para fazer o que não dá para
fazer com ele acordado! Eu passava roupa! Obviamente que se você tem empregada
tudo fica mais fácil, mas acho que nem assim você se desliga do que é do seu
bebê. Cuidar dele e do universo ao redor dele passa a ser sua “ocupação”,
lembra?
2 – Também não vai ter tempo pra você
Ilusão achar que ficar em casa o dia inteiro com o filhote significa
ter tempo para você mesma. Salvo pouquíssimas mulheres que conheço, você
simplesmente não terá tempo nem para tomar banho sossegada! É uma coisa de
louco, uma conta que não fecha. Como pode você ter 24 horas ali e não conseguir
nem 20 minutos para si? É, pode. Na minha memória vem a cena do Vitor
revessando para o almoço para me conseguir almoçar. O bebê chorava horrores bem
nessa hora, já trocado, com a barrigudinha cheia. Era só eu sentar e pronto.
Tem também aquele momento do “filho dormindo”. Era só eu ligar o chuveiro e…
fazer as unhas que horas senhor se nem as necessidades mais básicas conseguimos
fazer?
3 – No fim do dia, vai estar exausta
Não posso mentir, posso? Pois é, às sete da noite (ou
antes!), mães em tempo integral só desejam silêncio, luzes apagadas, sofá ou
cama. Mas assumo que as luzes apagadas
eram minha tática para relaxar a mente e me reabastecer para o terceiro turno.
Prefere luz acesa? Ok, vai estar exausta do mesmo jeito.
4 – Pode também não
ter tirado o pijama
Esse é um dos privilégios e vícios de uma mãe em tempo
integral: passar o dia de pijama! Afinal, não tem aquela obrigação de se
arrumar para sair e trabalhar! Ainda mais com bebês muito pequenos. Você passa
a prezar pelo conforto e praticidade. Para que trocar de roupa num dia caótico
de choro, pós noite mal dormida, com mil fraldas para trocar e uma casa zoneada
para dar jeito? É feio, eu sei, mas já passei muitos dias de pijama e só
troquei ao tomar banho, para colocar outro cheirosinho!
5 – Terá momentos que nada e nem ninguém poderia te oferecer
de outra forma
Sabe aquele clichê da mãe que acorda super cansada na
madrugada, tropeçando em tudo, mal-humorada, e quando chega no quarto vê aquele
sorriso? É, a gente sorri de volta, não tem jeito. Um olhar dengoso, uma
mãozinha no nosso cabelo, a boca aberta pra comer a papa, uma ameaça de dar os
primeiros passos com você por perto… Tudo isso deixa a gente em êxtase – e nos
faz esquecer de todas as noites insones, das refeições não feitas, do cabelo
sem hidratar, do salto alto… Cada minuto de doação e cansaço volta em dobro com
gratidão, carinho sincero e um abraço, que te dão mais fôlego pra seguir em
frente
6 – Vai se sentir realizada – e plena
Mulher moderna vive em busca da tal “realização”, mas me
corrijam se eu estiver errada; a gente busca muito mais em termos
profissionais! Mesmo quando estamos felizes da vida no campo pessoal
(relacionamento e etc), falta alguma coisa quando não temos sucesso na
carreira, aquele cargo, aquele salário. O contrário parece mais fácil de
digerir, como se fosse mais fácil de alcançar, ou sei lá. Talvez seja coisa de
quem queimou o soutien e precise provar tudo o tempo todo. Só que, quando você
escolhe a maternidade como um “trabalho” pra chamar de seu… surpresa! Você se
realiza!!! Em todos os sentidos. É como um aval do universo te dizendo
“querida, você nasceu pra isso”, “está livre de cobranças de chefe”, “o seu
patrão é o melhor do mundo e o seu salário ninguém pode pagar! ”, “como
conseguiu viver sem esse amor por tantos anos? ”, “deleite-se”. Mas,
parênteses: acho que só sentimos isso se a escolha de ficar em casa for nossa,
e não uma imposição da vida. A palavra é entrega.
7 – Vai ter vontade de desistir – ou vai repensar pelo menos
Não estranhe. É a mais pura verdade. Por mais que eu tenha
escolhido cuidar do Ravi, que eu não conseguisse nem pensar em alguém fazendo
isso por mim, tive vontade de desistir. Não aquela de verdade, mas sabe quando
a gente se questiona num minuto de desespero? Não eram os outros, nem meu
marido. Era eu, e meu cansaço. E acho que toda mãe que fica com a cria 24 por
7, em algum momento se questiona. Está valendo a pena? Será mesmo o melhor para
meu filho? E pra mim? Até quando? Como vai ser depois? O engraçado é que eu não
tinha a mínima vontade de voltar ao mercado de trabalho, e nem sentia falta da
“realização profissional”. Sinceramente, eu estava realizada, e não queria de
jeito nenhum largar o pequeno, a casa, aquela vida. Mas em alguns instantes,
sim, tinha dúvidas se eu era mesmo capaz de tudo aquilo que estava fazendo… E
eu era! Você também.
8 – Sua casa não vai estar sempre linda e arrumada
Pensa numa mulher descabelada. E numa casa zoneada. A-Há! Em
resumo, ambas as imagens resumem, juntas, a vida de uma mãe em tempo integral.
Pelo menos no início, para as mulheres que não têm muita ajuda além de uma
faxina, e principalmente para aquelas que não estavam acostumadas com a vida do
lar, é essa a realidade: uma casa desorganizada e cabelos desgrenhados
(literalmente e no sentido figurado também). Visitas fora de hora nos deixam
louca! Frases mais faladas: “não repare a bagunça” ou “nem tive tempo de ver
isso hoje ainda! ”. Mas isso é bom minha gente! Porque é a forma mais eficaz de
tudo entrar nos eixos, da maneira como você quer, ao menos um dia. Pode
demorar, mas com a mamãe por perto, os brinquedos tendem a ser guardados no
lugar certo, as roupas serem lavadas com uma certa rotina, as almofadas a
ficarem no sofá, etc. Pela experiência das minhas amigas que trabalham fora,
com a mãe longe a casa pode até estar arrumada, mas nunca estará do jeito que
ELA gostaria.
9 – A educação da cria estará muito mais nas suas mãos
Não sei se todas as mães que saem pra trabalhar concordam,
mas acho que boa parte. Porque ninguém aqui está discutindo quem está certa ou
errada, e nem dizendo que mães que vão pra rua não ligam para a educação dos
filhos. Muito pelo contrário. Ao conversar com minhas amigas que voltam ao
batente logo após a licença-maternidade acabar, percebo que elas ficam
incomodadas com o fato de terem que “dividir” com alguém as decisões e regras
sobre a educação da criança. Pode ser a avó, a babá, a professora da escola,
mas fato é que quando o pequeno passa um período do dia com outro cuidador,
você tem menos controle sobre o que ele faz, come, aprende, fala. E controle é
algo que muitas mulheres adoram! Já quando somos mães em tempo integral, temos
a responsabilidade e o dia a dia só pra gente – pra ensinar, cuidar, mostrar o
caminho, estimular. Nós escolhemos como fazer e ninguém, além de nossos
companheiros, pode ir contra isso. Muito bom não? Mas pode ser ruim também,
afinal somos o espelho o tempo todo.
10 – Você vai se chatear com os comentários alheios – até
cansar deles
Não tem jeito; a grama do vizinho é sempre mais verdinha. E
a sua será, para palpiteiros de plantão. Vão te perguntar “você não trabalha?
”, “só fica em casa? ”, “não vai voltar para para o emprego? ”, “como estão as
férias prolongadas?”. Hein? Pra começo de conversa, você trabalha. Sem entrar
muito no mérito da questão, o trabalho de mãe pode até não ter remuneração, mas
tem um valor incalculável. Só que ninguém lembra disso ao te encontrar por aí.
Em resumo, é assim: você escuta, se chateia, escuta, se chateia. Se sente
desvalorizada e sem o mínimo de apoio à sua escolha, ainda mais numa época em
que a maior parte das mulheres está fazendo o caminho contrário! Pensa, chora,
reafirma a escolha pra si mesma, escuta algo desagradável de novo, se chateia
de novo, e reafirma a escolha de novo. Até o dia em que vai se cansar dos
comentários toscos e dar de ombros. O que importa é você estar bem resolvida e
feliz com a sua decisão, e seus filhos serem reflexos disso.
11 – O marido pode não reclamar, mas você vai se sentir
culpada por não dar atenção a ele
A menos que você o espere de banho tomado, roupa sexy e
jantar na mesa, o maridão vai se sentir de lado. Ou você vai desconfiar que
está o deixando pra depois. Invariavelmente, mães em tempo integral têm uma
incrível obsessão pela rotina do filho e da casa, e nada (nem o marido) tira
esse foco. Portanto, ele pode chegar cansado, querendo conversar e você estar
lá dando banho na criança, terminando a sopa, guardando a massinha que estava
no chão. E logo vai ter que fazer a cria dormir, e pode ainda engatar num sono
profundo junto. Ou vai o papai, e você fica na TV, no telefone, num livro ou em
qualquer coisa que te distraia um pouco e te dê a sensação de estar tendo o
“seu momento”. Nada muito diferente se você estivesse chegando do trabalho,
exausta, e tivesse que tomar banho, jantar e dar atenção para a criança. Só que
desconfio que saindo de casa a gente fique menos “neurótica” com a rotina da
casa e do filho, e abra mão de muitas coisas pra estar com ele e com o pai dele
– respectivamente. Estando em casa, há de se policiar pra não virar uma chata –
e seu marido não reclamar, com razão.
12 – Você vai reclamar, mas vai ser muito feliz!!!
Reclamações fazem parte da vida de qualquer mãe, imagine
aquela que “só” cuida do filho, todos os dias, o tempo todo? É como colocar uma
lente de aumento, tudo toma maiores proporções. O filho não comeu tudo? A
roupinha nova manchou? A caixa de brinquedos espatifou no chão depois que você
guardou tudo? Detalhes nos estressam. Em contrapartida, baby, somos felizes com
pouco! Ver o filhote sendo educado com os outros, ou demonstrando que está
aprendendo muita coisa sem nem ter ido à escola nos deixa radiantes! Seis
colheradas de sopa idem! E quem disse que uma noite sem vazar xixi no colchão
não é capaz de te rejuvenescer? Experimente então presenciar o bebê ficando de
pé no berço pela primeira vez. Faça vídeos para a hora que seu marido chega, e
constate “o bom trabalho” que você anda fazendo. Ou apenas observe a si mesma
numa tarde qualquer, levando o filho pra dar uma volta de carrinho. Ah, se “os
outros” soubessem quanto trabalho temos, quanto reclamamos e como somos felizes
por isso!!!
Espero que tenham gostado
até o proximo post
bjuss
Sil mae do Ravi
Comentários
Postar um comentário