Recentemente
comecei a perceber uma situação com meus sobrinhos aqui em casa, eles não
queriam comer a comida que eu colocava, ou seja, comiam somente algumas
colheradas e não comiam mais.
Vendo
essa situação resolvi pesquisar e escrever um pouco sobre o assunto.
Sabe
aquela criança que não come? Não, não é aquela que faz birra quando tem
brócolis no prato ou que abre o berreiro pedindo refrigerante na hora do
almoço. Estou falando sobre a criança que quase nunca sente fome, recusa as
principais refeições e come muito pouco por dia, com um cardápio
super restrito.
Em
geral, casos assim preocupam os pais pois ficamos sem saber o que fazer. Forçar
a comida? Deixar o filho sem guloseimas, mesmo que seja só isso que ele aceite
comer? Ou dar só o que ele gosta, afinal, pelo menos assim ele não vive
praticamente de vento?
Lidar
com a alimentação infantil não é fácil mesmo. Essa é uma tarefa diária, que
começa antes de o pequeno vir ao mundo. “A família determina a formação do
hábito alimentar desde antes do nascimento, com o comprometimento
da alimentação da gestante, por exemplo. Posteriormente, isso continua com
o aleitamento materno, a introdução de alimentos complementares e a transição
para a dieta da criança mais velha”, explica o Prof. Dr. Mauro Fisberg,
pediatra, nutrólogo e coordenador do Centro de Dificuldades Alimentares do
Instituto PENSI, do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo.
Além
disso, manter uma rotina alimentar em casa é muito importante para que a
criança desenvolva hábitos saudáveis. Sentar à mesa para comer em horários
regrados, oferecer alimentos bons para a saúde em todas as refeições (ainda que
o pequeno não aceite) e evitar distrações como celulares ou TV ligada são
algumas medidas essenciais para que a meninada entenda que aquele é um
momento importante do dia. A questão é que, às vezes, essas são as nossas
próprias tentações, afinal, não é porque somos adultos que sabemos comer bem
(ou até mesmo como nos comportar).
Mas
é sempre bom lembrar que a criança aprende pelo exemplo, não adianta nada
querer que ela coma as verduras quietinha se você pediu um hambúrguer. Tornar a
mesa um ambiente agradável e de conversa é essencial.
Quando nada dá certo
A
falta de interesse pela comida costuma ser só uma fase e passa conforme a
criança cresce. Mas em alguns casos, essa atitude se estende ao longo dos anos.
Em qualquer uma dessas situações, é importante que os pais busquem ajuda sempre
que desconfiarem de que algo está errado. O pediatra é o primeiro profissional
a ser consultado, mas outros especialistas podem ajudar.
Quando
os casos se mostram mais complexos, profissionais como nutrólogos
especializados em pediatria, bem como nutricionistas, fonoaudiólogos,
psicólogos, pedagogos e terapeutas ocupacionais podem ajudar.
Nada de chantagem
A
gente cresce aprendendo que raspar o prato dá direito à recompensa e talvez por
achar que isso realmente funcione, ou então por não procurar conhecer outros
métodos, acaba replicando esse comportamento com os filhos. Mas oferecer algo
em troca de comida não é um caminho adequado, já que a criança passa a entender
que os alimentos funcionam como moeda de troca. Do mesmo jeito,
tentar forçar a alimentação ou deixar a criança o dia todo de
estômago vazio, para que ela sinta fome na hora do jantar, por exemplo, também
não são boas medidas, porque se ela não quiser, não tem jeito: não
vai comer. Sem contar que atitudes como essas trazem prejuízos para os
pais e para os baixinhos. Problemas de longa duração podem causar sequelas no
comportamento da criança e até mesmo no da família, dando origem a traumas por
forçar alimentos, colocar o filho de castigo, além de gerar uma tremenda
sensação de impotência nos pais.
Cada caso é um caso
Se
o seu filhote é desses que comem feito um passarinho, não se desespere. Hoje em
dia, já se sabe que comer pouco é relativo, uma vez que cada criança pode
necessitar de um determinado aporte de alimentos. Então, nada de ficar
comparando um filho aos irmãos ou aos filhos de amigos. “Devemos lembrar
que em muitos casos, mesmo comendo pouco, muitas crianças conseguem ter um
crescimento razoável e viver bem, ainda que que com poucos alimentos ou pouco
volume de ingestão”, alerta o nutrólogo.
Entretanto,
vale ressaltar que quando a restrição alimentar é severa e permanece por muitos
anos, o risco de haver um comprometimento do crescimento é maior –
primeiro afetando o peso e, posteriormente, a estatura. Além disso, podem
ocorrer deficiências de vitaminas e minerais importantes para o
funcionamento do nosso corpo. “Alguns nutrientes atuam no crescimento e
podem fazer parte do desenvolvimento mental e neurológico. Por exemplo, o
ferro, o zinco e outros metais têm participação essencial na cognição, memória,
aprendizado, inteligência e capacidade de resolver problemas”, exemplifica o
pediatra. Portanto, o cardápio do pequeno pode até ser reduzido,
mas precisa ser equilibrada. E lembre-se: o acompanhamento pediátrico
(e dos pais) é fundamental para detectar precocemente eventuais encrencas.
bjusss
até o próximo
silmaedoravi
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