Pular para o conteúdo principal

Entenda como se desenvolve o cérebro dos bebês

Pesquisas mostram como estimular o desenvolvimento cerebral desde os primeiros meses de vida do bebê.

Crianças começam a identificar objetos ao redor e distingui-los de outros estímulos visuais bem cedoFoto: silmaedoravi
A pesquisadora americana Lisa Freund, neurocientista na instituição The Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development (Nichd), nos Estados Unidos, explica, em entrevista, como o cérebro dos bebês se desenvolve nos primeiros dois anos e como os pais podem estimulá-lo. Confira abaixo:





Como o cérebro se desenvolve nos dois primeiros anos?
Lisa Freund— O cérebro humano passa por um crescimento rápido e intenso nessa fase. As células (os neurônios) se conectam por meio de axônios e dendritos. Essas conexões aumentam intensamente durante esse período da vida do bebê. Elas são realizadas por predeterminação genética, mas também como resultado das experiências pelas quais o bebê passa. A produção de mielina, substância grossa e gordurosa que ajuda a aumentar a velocidade com que os neurônios se comunicam, também aumenta rápido. O cérebro do bebê está desenvolvendo mais estruturas de conexões, e essas conexões resultam em rápido desenvolvimento. Quer dizer, os seres humanos nascem com muito mais neurônios do que quando o cérebro atinge a maturidade. Neurônios e qualquer conexão neural que não for estimulada vão morrer. O cérebro do bebê é esculpido pelas experiências dele e do ambiente em que ele vive.
Como esses bebês veem o mundo ao redor?
Lisa— Muitos estudiosos descreveram o cérebro dos bebês como capaz de organizar naturalmente as percepções do mundo à volta. Isso ocorre por meio da estimulação auditiva a que os bebês estão expostos, particularmente a linguagem falada. Com poucos meses de idade, o bebê consegue identificar fonemas de todas os idiomas do mundo, mas, por volta de 10 a 12 meses, ele consegue apenas identificar a língua falada à volta dele porque esses são os padrões de linguagem a que ele está acostumado. As crianças começam a identificar objetos ao redor e distingui-los de outros estímulos visuais bem cedo. Um dos processos que ajudam os bebês a organizar as informações visuais é a habilidade deles de separar a percepção do que é objeto estático do que é objeto em movimento.
Por que os bebês imitam os adultos?
Lisa — A habilidade de imitar é um processo importante. Bem cedo, essa imitação pode ser verificada em expressões faciais e movimentos (exemplo: mostrar a língua quando vê um adulto fazendo o mesmo para ele) ou imitações de movimentos complexos com objetos, como brinquedos. A imitação também está envolvida com o processo de aprendizagem social e se dá a partir da observação. Estudos mostraram que bebês com menos de um ano podem fazer imitações mesmo 24 horas após ver a performance de um adulto com um brinquedo ou objeto. Esse resultado indica que os bebês são capazes de desenvolvimento social já bem cedo.
De que forma os adultos podem estimular os bebês a falar e se movimentar?
Lisa— Pesquisas sobre desenvolvimento mostraram que a melhor forma de os adultos estimularem a fala e o movimento das crianças se dá a partir de brincadeiras e, claro, da leitura, mesmo que para os mais novinhos. Essa última atividade se mostrou uma importante precursora para o estímulo da leitura. Mesmo quando um adulto está falando com o bebê enquanto faz outras atividades do dia, como limpar a casa, passear no shopping ou outras, ele está estimulando a fala e o desenvolvimento cognitivo no geral. Adultos não devem presumir que os bebês não estão aprendendo se não entenderem tudo o que estão falando. As crianças também precisam se mexer. Nesse momento, eles também usam o cérebro para resolver questões do movimento. Quer dizer, movimentar-se está intrinsecamente ligado ao desenvolvimento cognitivo no bebê.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

5 Maneiras Simples De se conectar com sua criança interior

Quando nos tornamos adultos, acreditamos que a fase da infância ficou para trás. Entretanto, cada um de nós, independente da idade, carrega consigo a sua criança interior, aquele ser cheio de imaginação, de um olhar doce e ingênuo e que vê a vida de forma mais simples. Portanto, ainda que tenhamos muitas responsabilidades e desafios, é isso que faz com que não percamos a nossa essência e possamos voltar no tempo e reviver uma parte bonita de nós. A criança interior é aquela parte infantil de nós que representa nossa capacidade de inocência, admiração, alegria, sensibilidade e diversão. E embora tudo isso seja fantástico, é essa parte que, muitas vezes, também conserva as feridas antigas vindas lá do início da vida. Portanto, se tudo isso não for entendido, cuidado, tratado e ressignificado pode te impedir de ser um adulto mais realizado e completo. A personalidade e grande parte das crenças que alimentamos no decorrer da nossa história são construídas quando ainda somos pequenos. Po...

O que as plantas ensinam ao seu filho?

O que as plantas ensinam ao seu filho? Ter vasos com flores em casa não é apenas uma tendência de decoração. Além de melhorar a qualidade de vida de toda a família, o cuidado e a convivência com eles pode ensinar muito. 1. DESENVOLVE OS SENTIDOS Além de poder observar os diferentes formatos e cores das folhas e flores, sentir as texturas e provar os frutos,  o olfato também pode ser bastante privilegiado, sobretudo com as ervas aromáticas. O próximo passo, depois que seu filho começa a diferenciar a hortelã do manjericão e o orégano do alecrim, é mostrar como as plantas também podem melhorar o sabor da comida. Que tal colocar as mãos na terra agora mesmo? 2. TEM NOÇÃO DO CICLO DA VIDA Para Ravi, as plantas frutíferas são as mais bacanas para que a criança possa acompanhar um ciclo de vida mais completo, com semente, folhas, flores e frutos. Um vaso de 50 cm x 50 cm já é suficiente para cultivar pés de romã, amora, jabuticaba, mexerica, limão-siciliano ou limão...

12 COISAS QUE TODA MÃE SABE, MAS QUE NINGUÉM CONTA.

1 – Você não vai dormir bem, nem muito Não lembro de encostar a cabeça na cama no meio do dia, de ao menos dormir enquanto Ravi tirava a soneca da tarde. É claro que tinha dias em que me permitia esse “luxo”, mas – veja bem – era luxo mesmo. Porque bebês e crianças pequenas exigem demais da gente, em diferentes esferas. Uns não dormem bem por meses, você indo ou não trabalhar na manhã seguinte. E, não, não dá para compensar o sono da noite nas horas em que você deveria estar adiantando a papinha, colocando bodies e mais bodies para lavar, ligando para o pediatra, etc! Ah, sim, tem criança que chora o dia todo de cólica ou por outras razões, e quando este tipo de filho dorme você aproveita para fazer o que não dá para fazer com ele acordado! Eu passava roupa! Obviamente que se você tem empregada tudo fica mais fácil, mas acho que nem assim você se desliga do que é do seu bebê. Cuidar dele e do universo ao redor dele passa a ser sua “ocupação”, lembra? 2 – Também não vai ter tem...